segunda-feira, 27 de dezembro de 2010

Poetizando o Apocalipse


Florbela Espanca


Biografia
Mesmo antes de seu nascimento, a vida de Florbela Espanca já estava marcada pelo inesperado, pelo dramático, pelo incomum.
Seu pai, João Maria Espanca era casado com Maria Toscano. Como a mesma não pôde dar filhos ao marido, João Maria se valeu de uma antiga regra medieval, que diz que quando de um casamento não houver filhos, o marido tem o direito de ter os mesmos com outra mulher de sua escolha. Assim, no dia 8 de dezembro de 1894 nasce Flor Bela Lobo, filha de Antónia da Conceição Lobo. João Maria ainda teve mais um filho com Antónia, Apeles. Mais tarde, Antónia abandona João Maria e os filhos passam a conviver com o pai e sua esposa, que os adotam.
Florbela entra para o curso primário em 1899, passando a assinar Flor d’Alma da Conceição Espanca. O pai de Florbela foi em 1900 um dos introdutores do cinematógrafo em Portugal. A mesma paixão pela fotografia o levará a abrir um estúdio em Évora, despertando na filha a mesma paixão e tomando-a como modelo favorita, razão pela qual a iconografia de Florbela, principalmente feita pelo pai, é bastante extensa.
Em 1903, aos sete anos, faz seu primeiro poema, A Vida e a Morte. Desde o início é muito clara sua precocidade e preferência a temas mais escusos e melancólicos.
Em 1908 Antônia Conceição, mãe de Florbela, falece. Florbela então ingressa no Liceu de Évora, onde permanece até 1912, fazendo com que a família se desloque para essa cidade. Foi uma das primeiras mulheres a ingressar no curso secundário, fato que não era visto com bons olhos pela sociedade e pelos professores do Liceu. No ano seguinte casa-se no dia de seus 19 anos com Alberto Moutinho, colega de estudos.
O casal mora em Redondo até 1915, quando regressa à Évora devido a dificuldades financeiras. Eles passam a morar na casa de João Maria Espanca. Sob o olhar complacente de Florbela ele convive abertamente com uma empregada, divorciando-se da esposa em 1921 para casar-se com Henriqueta de Almeida, a então empregada.
Voltando a Redondo em 1916, Florbela reúne uma seleção de sua produção poética de 1915 e inaugura o projeto Trocando Olhares, coletânea de 88 poemas e três contos. O caderno que deu origem ao projeto encontra-se na Biblioteca Nacional de Lisboa, contendo uma profusão de poemas, rabiscos e anotações que seriam mais tarde ponto de partida para duas antologias, onde os poemas já devidamente esclarecidos e emendados comporão o Livro de Mágoas e o Livro de Soror Saudade.
Regressando a Évora em 1917 a poetisa completa o 11º ano do Curso Complementar de Letras, e logo após ingressa na Faculdade de Direito da Universidade de Lisboa. Após um aborto involuntário, se muda para Quelfes, onde apresenta os primeiros sinais sérios de neurose. Seu casamento se desfaz pouco depois.
Em junho de 1919 sai o Livro de Mágoas, que apesar da poetisa não ser tão famosa faz bastante sucesso, esgotando-se rapidamente. No mesmo ano passa a viver com Antônio Guimarães, casando-se com ele em 1921. Logo depois Florbela passa a trabalhar em um novo projeto que a princípio se chamaria Livro do Nosso Amor ou Claustro de Quimeras. Por fim, torna-se o Livro de Soror Saudade, publicado em janeiro de 1923.
Após mais um aborto separa-se pela segunda vez, o que faz com que sua família deixe de falar com ela. Essa situação a abalou muito. O ex-marido abriu mais tarde em Lisboa uma agência, “Recortes”, que enviava para os respectivos autores qualquer nota ou artigo sobre ele. O espólio pessoal de Antônio Guimarães reúne o mais abundante material que foi publicado sobre Florbela, desde 1945 até 1981, ano do falecimento do ex-marido. Ao todo são 133 recortes.
Em 1925 Florbela casa-se com Mário Lage no civil e no religioso e passa a morar com ele, inicialmente em Esmoriz e depois na casa dos pais de Lage em Matosinhos, no Porto.
Passa a colaborar no D. Nuno em Vila Viçosa, no ano de 1927, com os poemas que comporão o Charneca em Flor. Em carta ao diretor do D. Nuno fala da conclusão de Charneca em Flor, e fala também da preparação de um livro de contos, provavelmente O Dominó Preto.
No mesmo ano Apeles, irmão de Florbela, falece em um trágico acidente, fato esse que abalou demais a poetisa. Ela aferra-se à produção de As Máscaras do Destino, dedicando ao irmão. Mas então Florbela nunca mais será a mesma, sua doença se agrava bastante após o ocorrido.
Começa a escrever seu Diário de Último Ano em 1930. Passa a colaborar nas revistas Portugal Feminino e Civilização, trava também conhecimento com Guido Batelli, que se oferece para publicar Charneca em Flor. Florbela então revê em Matosinhos as provas do livro, depois de tentar o suicídio, período em que a neurose se agrava e é diagnosticado um edema pulmonar.
Em dois de dezembro de 1930, Florbela encerra seu Diário do Último Ano com a seguinte frase: “… e não haver gestos novos nem palavras novas.” Às duas horas do dia 8 de dezembro – no dia do seu aniversário Florbela D’Alma da Conceição Espanca suicida-se em Matosinhos, ingerindo dois frascos de Veronal. Algumas décadas depois seus restos mortais são transportados para Vila Viçosa, “… a terra alentejana a que entranhadamente quero”.

Alguns Poemas


Doce Certeza
Por essa vida fora hás-de adorar
Lindas mulheres, talvez; em ânsia louca,
Em infinito anseio hás de beijar
Estrelas d´ouro fulgindo em muita boca!

Hás de guardar em cofre perfumado
Cabelos d´ouro e risos de mulher,
Muito beijo d´amor apaixonado;
E não te lembrarás de mim sequer…
Hás de tecer uns sonhos delicados…
Hão de por muitos olhos magoados,
Os teus olhos de luz andar imersos!…

Mas nunca encontrarás p´la vida fora,
Amor assim como este amor que chora
Neste beijo d´amor que são meus versos!…
Florbela Espanca - Trocando olhares - 06/06/1916
Meu Portugal
Meu Portugal querido,minha terra
De risos e quimeras e canções
Tens dentro em ti,esse teu peito encerra,
Tudo que faz bater os corações !
Tens o fado. A Canção triste e bendita
Que todos cantam pela vida fora;
O fado que dá vida e que palpita
Na calma da guitarra onde mora !
Tu tens também a embriaguês suave
Dos campos, da pisagem ao sol poente,
E esse sol é como um canto d’ave
Que expira à beira-mar, suavemente…
Tu tens, ó Pátria minha, as raparigas
Mais fescas, mais gentis do orbe imenso,
Tens os beijos, os risos, as cantigas
De seus lábios de sangue !… Às vezes, penso
Que tu és, Pátria minha,branca fada
Boa e linda que Deus sonhou um dia,
Para lançar no mundo,ó Pátria amada
A beleza eterna, a arte, a poesia !…
Florbela Espanca - Trocando olhares - 19/06/1916

Esses dois foram musicados por Fagner


Fanatismo
Minh’alma, de sonhar-te, anda perdida
Meus olhos andam cegos de te ver !
Não és sequer a razão do meu viver,
Pois que tu és já toda a minha vida !
Não vejo nada assim enlouquecida ...
Passo no mundo, meu Amor, a ler
No misterioso livro do teu ser
A mesma história tantas vezes lida !
"Tudo no mundo é frágil, tudo passa ..."
Quando me dizem isto, toda a graça
Duma boca divina fala em mim !
E, olhos postos em ti, digo de rastros :
"Ah ! Podem voar mundos, morrer astros,
Que tu és como Deus : Princípio e Fim ! ..."
Livro de Soror Saudade (1923)
Fumo
Longe de ti são ermos os caminhos,
Longe de ti não há luar nem rosas,
Longe de ti há noites silenciosas,
Há dias sem calor, beirais sem ninhos!
Meus olhos são dois velhos pobrezinhos
Perdidos pelas noites invernosas...
Abertos, sonham mãos cariciosas,
Tuas mãos doces, plenas de carinhos!
Os dias são Outonos: choram... choram...
Há crisântemos roxos que descoram...
Há murmúrios dolentes de segredos...
Invoco o nosso sonho! Estendo os braços!
E ele é, ó meu Amor, pelos espaços,
Fumo leve que foge entre os meus dedos!...
Florbela Espanca


Poemas Áudio

Poemas de Florbela na voz de Miguel Falabella, são 8 arquivos de áudio cada um contendo 4 poesias no total de 32 poemas, abaixo a lista e os poemas escritos.

01 - Amar - Se tu viesses ver-me - O Nosso Mundo - Interrogação
02 - Minha Culpa - Para Que?! - Sem Remédio - Ser Poeta
03 - Languidez - O Nosso Livro - Blasfémia - Volúpia
04 - Versos de Orgulho - Impossivel - Angústia - Neurastenia
05 - Alma Perdida - Noite de Saudade - cinzento - Anoitecer
06 - Inconstância - Os Versos Que te Fiz - De Joelhos - Saudades
07 - Frieza - Tortura - A Minha Dor - A Noite Desce
08 - Desejos Vãos - Panteísmo - Minhas Ilusões - X
Links para download:
Há também CD do Marcos Assumpção que musicou poemas de Florbela Espanca

Link para o site do musico para maiores informações:


segunda-feira, 13 de setembro de 2010

FOTOGRAFIA III

FOTOGRAFIA III
Os avanços tecnológicos da câmara escura
A princípio para melhora a imagem, diminuíram o orifício da câmara, mas isso resultou em imagens muito escurecidas (quanto menor o orifício, mais escura), dificultando a visualização pelos artistas.
Em 1550 o físico milanês Girolano Cardano, sugeriu o uso de lentes biconvexas junto ao orifício, permitindo desse modo aumentá-lo, para se obter uma imagem clara sem perder sua nitidez. Graças a capacidade de refração do vidro, ele converge os raios luminosos do objeto e cada ponto luminoso refletido corresponde a um ponto da imagem).
Outro problema surge quando percebe-se que não se obtêm imagens nítidas quando os objetos captados pelo visor estão a diferentes distâncias da lente; focando um objeto que está mais a frente, o de traz ficam desfocados(perdem a nitidez) e vice-versa. Danielo Barbaro no ano de 1568 menciona em seu livro “A prática da Perspectiva”, que variando o diâmetro do orifício, era possível melhorar a nitidez da imagem; este dispositivo instalado junto ao orifício foi o primeiro diafragma, quanto mais fechado o orifício maio a possibilidade de focalizar dois objetos à distâncias diferentes da lente.
Egnatio Danti, astrônomo e matemático florentino, em 1573, sugere em La perspecttiva di Euclide, sugere a utilização de um espelho concavo para reinverter a imagem. Friedrich Risner, em 1580 descreve uma câmara escura portátil, na obra Optics, publicada somente me 1606. Em 1620 Johann Kepler em sua viagem de inspeção pela Alta Áustria usava para fazer seu desenhos topográficos uma câmara escura em forma de tenda que era equipada com uma lente biconvexa e um espelho, para obter uma imagem no tabuleiro de desenho no seu interior.
O professor de matemática da Universidade de Altdorf, Daniel Schwenter em sua obra Deliciae physico-mathematicae em 1636, descreve um elaborado sistema de lentes que combinam três distâncias focais diferentes; sistema este que foi usado por Hans Hauer em sua panorâmica de Nuremberg. Em 1646, Athanasius Kircher, descreve sua câmara escura em forma de liteira. O professor de matemática Kaspar Schott de Wüzburgo, na obra Magia Optica de 1657, menciona que um viajante vindo da Espanha descrevera uma câmara escura que podia ser levada sob seu braço.
Antonio Canaletto, em 1665, utilizou uma câmara escura dotada de um sistema de lentes intercambiáveis como meio auxiliar de desenhos de vistas panorâmicas.
Johann Christoph Sturm – 1676 – na obra Collegium Experimentale sive curiosum, descreve e ilustra uma câmara escura que utilizava um espelho a 45 graus, que refletia a luz vinda da lente para um pergaminho azeitado colocado horizontalmente e uma carapuça de pano preto exterior funcionando como um parasol para melhorar a qualidade da visualização da imagem.
Johann Zhan, monge de Wüzburgo, em sua obra Oculus Arificialis teledioptricus (1685/1686) ilustrou-a com vários tipos de câmaras portáteis como o tipo reflex que possuía 23 cm de altura e 60 cm de largura






Fontes: www.kodak.com; www.wikipedia.org; www.cotianet.com.br; www.fujifilm.com.br.

domingo, 5 de setembro de 2010

Poetizando o Apocalipse


CORA CORALINA


Cora Coralina, pseudônimo de Ana Lins dos Guimarães Peixoto Bretas, (Cidade de Goiás, 20 de agosto de 1889 — Goiânia, 10 de abril de 1985) foi uma poetisa e contista brasileira. Cora Coralina, uma das principais escritoras brasileiras, publicou seu primeiro livro aos 76 anos de idade.
Mulher simples, doceira de profissão, tendo vivido longe dos grandes centros urbanos, alheia a modismos literários, produziu uma obra poética rica em motivos do cotidiano do interior brasileiro, em particular dos becos e ruas históricas de Goiás.
Filha de Francisco de Paula Lins dos Guimarães Peixoto, desembargador nomeado por D. Pedro II, e de Jacinta Luísa do Couto Brandão, Ana nasceu e foi criada às margens do rio Vermelho, em casa comprada por sua família no século XIX, quando seu avô ainda era uma criança. Estima-se que essa casa foi construída em meados do século XVIII, tendo sido uma das primeiras edificações da antiga Vila Boa de Goiás.
Começou a escrever os seus primeiros textos aos quatorze anos de idade, publicando-os nos jornais locais apesar da pouca escolaridade, uma vez que cursou somente as primeiras quatro séries, com Mestra Silvina. Publicou nessa fase o seu primeiro conto, Tragédia na Roça.
Casou-se em 1910 com o advogado Cantídio Tolentino Bretas, com quem se mudou, no ano seguinte, para o interior de São Paulo. Viveria no estado de São Paulo por quarenta e cinco anos, inicialmente nos municípios de Avaré e Jaboticabal, e depois em São Paulo, para onde se mudaria em 1924. Ao chegar à capital, teve que permanecer algumas semanas trancada num hotel em frente à Estação da Luz, uma vez que os revolucionários de 1924 haviam parado a cidade. Em 1930, presenciou a chegada de Getúlio Vargas à esquina da rua Direita com a praça do Patriarca. Um de seus filhos participou da Revolução Constitucionalista de 1932.
Com a morte do marido, passou a vender livros. Posteriormente mudou-se para Penápolis, no interior do estado, onde passou a produzir e vender linguiça caseira e banha de porco. Mudou-se em seguida para Andradina, até que, em 1956, retornou para Goiás.
Ao completar cinquenta anos de idade, a poetisa relata ter passado por uma profunda transformação interior, a qual definiria mais tarde como “a perda do medo”. Nesta fase, deixou de atender pelo nome de batismo e assumiu o pseudônimo que escolhera para si muitos anos atrás.
Durante esses anos, Cora não deixou de escrever poemas relacionados com a sua história pessoal, com a cidade em que nascera e com ambiente em que fora criada. Ela chegou ainda a gravar um LP declamando algumas de suas poesias. Lançado pela gravadora Paulinas Comep, o disco ainda pode ser encontrado hoje em formato CD.
Cora Coralina morreu em Goiânia. A sua casa na Cidade de Goiás foi transformada num museu em homenagem à sua história de vida e produção literária.
Primeiros passos literários
Os elementos folclóricos que faziam parte do cotidiano de Ana serviram de inspiração para que aquela frágil mulher se tornasse a dona de uma voz inigualável e sua poesia atingisse um nível de qualidade literária jamais alcançado até aí por nenhum outro poeta do Centro-Oeste brasileiro.
Senhora de poderosas palavras, Ana escrevia com simplicidade e seu desconhecimento acerca das regras da gramática contribuiu para que sua produção artística priorizasse a mensagem ao invés da forma. Preocupada em entender o mundo no qual estava inserida, e ainda compreender o real papel que deveria representar, Ana parte em busca de respostas no seu cotidiano, vivendo cada minuto na complexa atmosfera da Cidade de Goiás, que permitiu a ela a descoberta de como a simplicidade pode ser o melhor caminho para atingir a mais alta riqueza de espírito.
Livros e outras obras
* Estórias da Casa Velha da Ponte (contos)
* Poemas dos Becos de Goiás e estórias mais (poesia)
* Meninos Verdes (infantil)
* Meu Livro de Cordel
* O Tesouro da Casa Velha
* A Moeda de Ouro que o Pato Engoliu (infantil)
* Vintém de Cobre
* As Cocadas (infantil)
Divulgação nacional
Foi ao ter sua poesia conhecida por Carlos Drummond de Andrade que Ana, já conhecida como Cora Coralina, passou a ser admirada por todo o Brasil.
Seu primeiro livro, Poemas dos Becos de Goiás, foi publicado pela Editora José Olympio em 1965, quando a poetisa já contabilizava 75 anos. Reúne os poemas que consagraram o estilo da autora e a transformaram em uma das maiores poetisas de Língua Portuguesa do século XX.
Onze anos mais tarde, em 1976, compôs Meu Livro de Cordel. Finalmente, em 1983 lançou Vintém de Cobre – Meias Confissões de Aninha (Ed. Global).
Cora Coralina foi eleita intelectual do ano e contemplada com o Prêmio Juca Pato da União Brasileira dos Escritores em 1983. Dois anos mais tarde, veio a falecer.
Observação:
Segundo informações após contato com Célia Bretas Tahan, jornalista, escritora e neta de Cora Coralina, esta confirmou que todos os poemas inéditos de Cora se encontram em poder de sua mãe, Vicência Bretas Tahan (única filha de Cora ainda viva e autora da biografia romanceada “Cora Coragem Cora Poesia”) e o poema vinculado pela mídia “Não Sei” e/ou “Saber Viver” ( = contendo as letras de Não Sei não fazem parte do acervo da referida autora.). A divulgação do apócrifo surgiu, porque junto ao poema veio um acréscimo (de origem desconhecida) do verso sem estar entre as aspas: “Feliz aquele que transfere o que sabe e aprende o que ensina” do poema Exaltação de Aninha (O Professor) de Cora Coralina, in: Vintém de cobre: meias confissões de Aninha, 9. ed., São Paulo: Global, 2007. p. 163-4
Bibliografia
* TAHAN, Vicência Bretas. Cora Coragem, Cora Poesia. Global Editora, 1989.
* TAHAN, Vicência Bretas. Villa Boa de Goyaz. Global Editora, 2001.
* DENÓFRIO, Darcy França. Cora Coralina – Coleção Melhores Poemas – Global Editora, 2004. Darcy Franca Denofrio
* DENÓFRIO, Darcy França. Cora Coralina: Celebração da Volta. Cânone Editorial, 2006. Darcy Franca Denofrio
POEMINHA AMOROSO

Este é um poema de amor
tão meigo, tão terno, tão teu...
É uma oferenda aos teus momentos
de luta e de brisa e de céu...
E eu,
quero te servir a poesia
numa concha azul do mar
ou numa cesta de flores do campo.
Talvez tu possas entender o meu amor.
Mas se isso não acontecer,
não importa.
Já está declarado e estampado
nas linhas e entrelinhas
deste pequeno poema,
o verso;
o tão famoso e inesperado verso que
te deixará pasmo, surpreso, perplexo...
eu te amo, perdoa-me, eu te amo..."
Considerações de Aninha
Melhor do que a criatura,
fez o criador a criação.
A criatura é limitada.
O tempo, o espaço,
normas e costumes.
Erros e acertos.
A criação é ilimitada.
Excede o tempo e o meio.
Projeta-se no Cosmos
Cora Coralina





Fotografia II


FOTOGRAFIA II
No começo e
ra a luz
Para entender o funcionamento da câmara escura
O que é a luz?
Uma forma de energia eletromagnética que se propaga em linha reta a partir de uma fonte luminosa. Quando esses raios luminosos incide sobre um objeto, que possui superfície irregular ou opaca, é refletido de um modo difuso (em todas as direções).

Ocorre que o orifício da câmara escura quando diante desse objeto, deixa passar para o interior alguns desses raios que se projetam na parede branca. E como cada ponto iluminado do objeto reflete os raios de luz desse modo, temos então uma projeção da sua imagem, só que de forma invertida e de cabeça para baixo. Mas como cada ponto do objeto corresponde a um disco luminosos, a imagem formada possuí pouca nitidez, principalmente quando se substitui a parede branca pelo p
ergaminho de desenho, o que na época foi um problema para os artistas que queriam usar a câmara escura como auxiliar na pintura.



quarta-feira, 1 de setembro de 2010

Assemblage

Assemblage
Jean Dubuffet usa esse termo para fazer referência a trabalhos que “vão além das colagens”. O princípio que orienta a feitura de assemblages é a “estética da acumulação”: todo e qualquer tipo de material pode ser incorporado à obra de arte. O trabalho artístico visa romper definitivamente as fronteiras entre a arte e a vida cotidiana; ruptura já ensaiada pelo dadaísmo, sobretudo pelo ready-made de Marcel Duchamp e pelas obras de Merz, de Kurt Schwitters. A ideia que envolve os assemblages, é de que objetos díspares reunidos na obra, ainda que produzam um novo conjunto, não perdem o sentido original.(texto adaptado da Enciclopédia Itaú Cultural de Artes Visuais). Leia o texto integral: www.itaucultural.org.br.







Fotografia I


Fotografia I

Atualmente fotografar é um procedimento muito simples, principalmente com a fotografia digital que é um processo totalmente diferente da convencional, mas nem sempre foi assim, para chegar a este ponto foi percorrido um longo caminho, um caminho de muitos séculos. A fotografia não teve um único inventor, mais sim uma série de observações e inventos no decorrer de vários séculos. Seu princípio era conhecido desde a antiguidade, o que não se tinha era um processo para fixação da imagem.
Origens – Princípio Ótico

Alguns historiadores indicam o conhecimento do princípio ótico o chines Mo Tzu no século V a.C., outros o filósofo grego Aristóteles (384-322 a.C.) como responsável pelos primeiros comentários esquemáticos da “Camera Obscura.”

Sentado sob uma árvore, Aristóteles observou a imagem do sol, em uma eclipse parcial, projetando-se no solo em forma de meia lua ao passar seus raios por um pequeno orifício entre as folhas de um plátano. Observou também que quanto menor o orifício, mais nítida era a imagem.
Por tempos a câmara escura é usada por sábios europeus na observação de eclipses solares, há registro do uso deste aparelho ótico por um erudito árabe Ibn al Haitam (965-1038), o Alhazem em princípios do século XI, na corte de Constantinopla.
Em 1521 um discípulo de Leonardo da Vinci, Cesare Cesariano descreve a câmara escura em uma anotação e em 1545, surge a primeira ilustração da Câmara Escura, na obra de Reiner Gemma Frisius, físico e matemático holandês.
No século XIV já se aconselhava o uso da câmara escura como auxílio ao desenho e a pintura.
Leonardo da Vinci (1452-1519) fez uma descrição da câmara escura em seu livro de notas sobre espelhos, que só foi publicado em 1797.
O cientista napolitano Giovanni Baptista della Porta (1541-1615), publica uma descrição detalhada sobre a câmara escura e seus usos no livro Magia Naturalis sive de Miraculis Rerum Naturalium.

O que é a Câmara Escura?

Era um quarto estanque à luz (isolado da luz, um quarto escuro), possuía um orifício de um lado e a parede à sua frente pintada de branco. Quando um objeto era posto diante do orifício, do lado de fora do compartimento, a sua imagem era projetada invertida sobre a parede branca.
Johannes Kepler, em 1620 fez uso da câmara escura para desenhos topográficos.
Em 1646, o jesuíta Athanasius Kircher, erudito professor de Roma, descreveu e ilustrou uma câmara escura que possibilitava o artista desenhar em vários locais, transportada como uma liteira.
Johan Zahn, em 1685, descreve a utilização de um espelho, para redirecionar a imagem ao plano horizontal, facilitando assim o desenho nas câmaras portáteis.









terça-feira, 6 de julho de 2010

Land Art

LAND ART

Land Art ou Earthwork, surgiu no final da década de 1960; utiliza como suporte, tema ou meio de expressão o espaço exterior; não era a questão de representar a paisagem,mas sim, fazer parte dela; não, uma arte sobre a natureza, mas dentro dela. Os artistas se integravam num movimento cultural que preconizava “o regresso a natureza”; a Land Art rompe com o espaço tradicional das galerias e museus, pois é um tipo de arte que não cabe nestes espaços tradicionais, a não ser em representação fotografica. Uma das obras mais conhecidas, é a Plataforma Espiral (Spiral Jetty), de Robert Smithson (1971), construída no Grande Lago Salgado (Great Salt Lake), em Utha, nos Estados Unidos da América.
Principais Artistas:
Robert Smithson
Sol Le Witt
Robert Morris
Carl Andre
Christo & Jeanne-Claude
Walter de Maria
Dennis Oppenheim
Richard Long



FONTES: http://www.infopedia.pt/$land-art, http://pt.wikipedia.org/wiki/Land_Art, caleida.pt/clepsidra

sábado, 3 de julho de 2010

Poetizando o Apocalipse


AUGUSTO DOS ANJOS

PSICOLOGIA DE UM VENCIDO
Eu, filho do carbono e do amoníaco,
Monstro de escuridão e rutilância,
Sofro, desde a epigênese da infância,
A influência má dos signos do zodíaco.

Profundissimamente hipocondríaco,
Este ambiente me causa repugnância...
Sobe-me à boca uma ânsia análoga à ânsia
Que se escapa da boca de um cardíaco.

Já o verme - este operário das ruínas -
Que o sangue podre das carnificinas
Come, e á vida em geral declara guerra,

Anda a espreitar meus olhos para roê-los,
E há de deixar-me apenas os cabelos,
Na frialdade inorgânica da terra!

Versos Íntimos
Vês! Ninguém assistiu ao formidável
Enterro de tua última quimera.
Somente a Ingratidão - esta pantera -
Foi tua companheira inseparável!
Acostuma-te à lama que te espera!
O Homem, que, nesta terra miserável,
Mora, entre feras, sente inevitável
Necessidade de também ser fera.
Toma um fósforo. Acende teu cigarro!
O beijo, amigo, é a véspera do escarro,
A mão que afaga é a mesma que apedreja.
Se a alguém causa inda pena a tua chaga,
Apedreja essa mão vil que te afaga,
Escarra nessa boca que te beija!

quarta-feira, 23 de junho de 2010

Web Art

Web Art

Quando se pensa em arte e Internet, muitos podem pesar na Internet como um meio de divulgação de museus, galerias, e informativos sobre as linguagens da arte. Mas como ferramenta e como mídia a Internet abriu novas perspectivas para a arte contemporânea, a Web Art é um resultado disto, pois, ela trabalha ou se utiliza de elementos do universo computacional (botões, barras, mensagens típicas de softwares...). A Web Art parte do princípio de estabelecer relações com a sensibilidade do internauta, tornando a navegação uma experiência impar. A busca é por resultados subjetivos, já que a está intimamente ligado às experiências do visitante tanto da vivência da navegação quanto do seu repertório, um que leva um grande número de leituras particulares.

A 24 º Bienal Internacional de São Paulo, que ocorreu em 1998, foi a primeira a incorporar oficialmente trabalhos de Web Art. A curadoria foi assinada por Ricardo Ribenboim e Ricardo Anderáos. Além de reunir links para trabalhos de vários artistas nacionais e estrangeiros, essa curadoria inovou ao desenvolver um aplicativo em Flash que permitia navegar em uma trama de conceitos relacionados que davam links aos trabalhos selecionados. Além de fornecer links para trabalhos que já se encontravam na rede, a curadoria também encomendou obras especificamente para essa mostra.

Confira está experiência acessando o site do MOWA, Museu da Web Art: www.mowa.org.


quinta-feira, 27 de maio de 2010

Happining

Happening

Definição

O termo happening é criado no fim dos anos 1950 pelo americano Allan Kaprow para designar uma forma de arte que combina artes visuais e um teatro sui generis, sem texto nem representação. Nos espetáculos, distintos materiais e elementos são orquestrados de forma a aproximar o espectador, fazendo-o participar da cena proposta pelo artista (nesse sentido, o happening se distingue da performance, na qual não há participação do público). Os eventos apresentam estrutura flexível, sem começo, meio e fim. As improvisações conduzem a cena - ritmada pelas ideias de acaso e espontaneidade - em contextos variados como ruas, antigos lofts, lojas vazias e outros. O happening ocorre em tempo real, como o teatro e a ópera, mas recusa as convenções artísticas. Não há enredo, apenas palavras sem sentido literal, assim como não há separação entre o público e o espetáculo. Do mesmo modo, os "atores" não são profissionais, mas pessoas comuns.

O happening é gerado na ação e, como tal, não pode ser reproduzido. Seu modelo primeiro são as rotinas e, com isso, ele borra deliberadamente as fronteiras entre arte e vida. Nos termos de Kaprow: "Temas, materiais, ações, e associações que eles evocam devem ser retirados de qualquer lugar menos das artes, seus derivados e meios". Uma "nova arte concreta", propõe o artista, no lugar da antiga arte concreta abstrata, enraizada na experiência, na prática e na vida ordinária, matérias-primas do fazer artístico. De acordo com Kaprow, os happenings são um desdobramento das assemblages e da arte ambiental, mas ultrapassa-as pela introdução do movimento e por seu caráter de síntese, espécie de arte total em que se encontram reunidas diferentes modalidades artísticas - pintura, dança, teatro, música. A filosofia de John Dewey, sobretudo suas reflexões sobre arte e experiência, o zen-budismo, o trabalho experimental do músico John Cage, assim como a action painting do pintor americano Jackson Pollock são matrizes fundamentais para a concepção de happening.

Cage é o responsável pelo Theater Piece # 1, ou simplesmente "o evento", realizado no Black Mountain College, na Carolina do Norte, Estados Unidos, em 1952, considerado o primeiro happening da história da arte. No espetáculo, M. C. Richards e o poeta Charles Olson lêem poemas nas escadas enquanto David Tudor improvisa ao piano e Merce Cunningham dança em meio à audiência. Pendurada, uma white painting de Robert Rauschenberg, uma velha vitrola toca discos de Edith Piaf. Café é servido por quatro rapazes de branco. Cage, sentado, lê um texto que relaciona música e zen-budismo, algumas vezes em voz alta, outras, em silêncio. O espetáculo apela simultaneamente aos sentidos da visão, audição, olfato, paladar e tato, e, além disso, envolve os artistas mencionados e outros participantes, que interferem, aleatoriamente, na cena. Kaprow inspira-se no evento de Cage na concepção de seu primeiro espetáculo, 18 Happenings in 6 Parts, em 1958. O músico é um de seus mestres, sobretudo suas ideias de acaso e indeterminação na arte.

Se o nome de Kaprow associa-se diretamente ao happening, tendo realizado uma infinidade deles - Garage Environment, 1960, An Apple Shrine, 1960, Chicken, 1962, entre outros -, é preciso lembrar que, nos Estados Unidos, artistas como Jim Dine, Claes Oldenburg, Rauschenberg e Roy Lichtenstein também realizaram diversos happenings. À lista deve ser acrescentado ainda o nome do artista lituano Georges Maciunas, radicado nos Estados Unidos, e o movimento Fluxus, por ele concebido e batizado por ocasião do Festival Internacional de Música Nova, em Wiesbaden, Alemanha, em 1962. O termo - do latim, fluxu "movimento" -, originalmente criado para dar título a uma publicação de arte de vanguarda, passa a caracterizar uma série de performances organizadas por Maciunas na Europa, entre 1961 e 1963.

Aderem às propostas do Fluxus, entre outros, o músico e artista multimídia Naum June Paik, e o alemão Joseph Beuys. As performances concebidas por Beuys - que ele prefere chamar de ações, evitando os nomes happening ou performance - na Alemanha se particularizam pelas conexões que estabelecem com um universo mitológico, mágico e espiritual. Nelas chamam atenção o uso frequente de animais - por exemplo, as lebres em The Chief - Fluxus Chant, Copenhagen, 1963 -, a ênfase nas ações que conferem sentidos aos objetos e o uso de sons e ruídos de todos os tipos, num apelo às experiências anteriores à linguagem articulada e ao reino dos instintos, que os animais representam. Ainda em solo europeu, é possível lembrar performances realizadas nos anos 1960, por Yves Klein, na França, e, na trilha da arte povera italiana, os nomes de Jannis Kounellis e Vettor Pisani. No Japão, os happenings adquirem soluções novas com o Grupo Gutai de Osaka, que entre 1954 a 1972 reúne Jiro Yoshihara e mais quinze artistas.

No Brasil, Flávio de Carvalho é um pioneiro da performance, realiza várias a partir de meados dos anos 1950 - por exemplo, a relatada no livro Experiência nº 2. O Grupo Rex, criado em São Paulo por Wesley Duke Lee, Nelson Leirner, Carlos Fajardo, José Resende, Frederico Nasser, entre outros, também realiza uma série de happenings, como o concebido por Wesley Duke Lee, em 1963, no João Sebastião Bar. O Grande Espetáculo das Artes, como é chamado o evento, tem origem na irritação do artista por não conseguir expor a série Ligas, considerada excessivamente erótica. O happening tem como eixo uma atitude de rechaço à crítica e às galerias de arte. O chamado neo-realismo carioca - Antonio Dias, Rubens Gerchman, Carlos Vergara, Pedro Escosteguy e Roberto Magalhães - envolve-se com o espetáculo e exposição coletiva PARE, em 1966. O evento, comandado pelo crítico Mário Pedrosa e inspirado nos programas de auditório do Chacrinha, é considerado por certos comentaristas como o primeiro happening no Brasil. Da década de 1980, devem ser mencionadas as Eletro-performances, espetáculos multimídia concebidos por Guto Lacaz.

Fonte: Enciclopédia Itaú cultural artes visuais

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quinta-feira, 29 de abril de 2010

Dança

Dia 29 de abril é comemorado o Dia Internacional da Dança. A data foi instituída pelo CID (Conselho Internacional de Dança), órgão ligado a Unesco.
Saiba mais acessando o Idança, http://idanca.net.

segunda-feira, 26 de abril de 2010

Poetizando o Apocalipse

O amor (1923)

Vladímir Maiakóvski

Um dia, quem sabe,
ela, que também gostava de bichos,
apareça
numa alameda do zôo,
sorridente,
tal como agora está
no retrato sobre a mesa
Ela é tão bela,
que, por certo, hão de ressuscitá-la.
Vosso Trigésimo Século
ultrapassará o exame
de mil nadas,
que dilaceravam o coração.
Então,
de todo amor não terminado
seremos pagos
em inumeráveis noites de estrelas.
Ressuscita-me,
nem que seja só porque te esperava
como um poeta,
repelindo o absurdo cotidiano!
Ressuscita-me,
nem que seja só por isso!
Ressuscita-me!
Quero viver até o fim o que me cabe!
Para que o amor não seja mais escravo
de casamentos,
concupiscência,
salários.
Para que, maldizendo os leitos,
saltando dos coxins,
o amor se vá pelo universo inteiro.
Para que o dia,
que o sofrimento degrada,
não vos seja chorado, mendigado.
E que, ao primeiro apelo:
―Camaradas!
atenta se volte a terra inteira.
Para viver
livre dos nichos das casas.
Para que
doravante
a família
seja:
o pai,
pelo menos o Universo;
a mãe,
pelo menos a Terra.

quarta-feira, 21 de abril de 2010

Patrimônio & Educação

Mauá em Marcha

Este é um registro histórico da cidade de Mauá, muitos nem imaginam como era ela no passado , o quanto ela cresceu e foi modificada, desde Pilar que recebeu os imigrantes até Mauá que recebeu os migrantes, tudo colaborou com a formação cultural-histórica de Mauá, e nos presenteou com esta rica diversidade cultural. Para compararmos o ontem e o hoje podemos nos valer de uma pequena e muito valiosa narrativa cinematográfica de Wolfgang e Hans Gerber, imagens da década de 50, intitulada Mauá em Marcha; apreciem, conheçam ou relembrem. (Edição de imagens e som:Departamento de Comunicação Social da P.M.M)
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Fonte: CONDEPHAAT-MAUÁ/GT de Educação Patrimonial, Meio Ambiente e Diversidade Cultural.
Blog do Condephaat Mauá: http://condephatma.blogspot.com

quarta-feira, 14 de abril de 2010

Escreva que eu te leio

Robert Doisneau

Robert Doisneau nasceu em 1912 na França e dedicou-se a fotografia como autodidata. Começou realizando fotografias publicitárias e industriais em 1934 aos vinte e dois anos de idade.
Participou da Segunda Guerra, contribuindo ativamente para a resistência francesa até o o término do conflito.
No final da década de 40 iniciou seu trabalho para a revista VOGUE permanecendo até 1952, primeiro como fotógrafo permanente e no final como colaborador.
Seu trabalho o fez conhecido e admirado na sociedade francesa, que nutria por ele um carinho especial, por seu modo simples de ser, proveniente de sua origem humilde.
Doisneau conseguiu, aliado ao seu talento do instantâneo, captar verdadeiras pérolas do estilo de vida francês de sua época, principalmente nos subúrbios.
Ficou conhecido mundialmente com a foto intitulada "O beijo do Hotel de Ville", que retrata um casal se beijando na praça do hotel.
Doisneau era requisitado por muitos artistas famosos para fazer-lhes as fotos. São famosas as fotografias tiradas de Pablo Picasso.
Morreu em Paris, em 1993.

Esta é uma das mais famosas fotografias de um beijo do mundo.
A foto, tirada com uma Leica (marca da máquina). O casal de namorados: Françoise Bornet e Jacques Carteaud.
Doisneau estava na Praça do Hotel de Ville, em Paris, em 1950, procurando material para um trabalho sobre os namorados da cidade, encomendado pela revista norte-americana America's Life. Ao avistar o dito casal, que passeava com ar romântico, Doisneau pediu-lhes uma pose apaixonada: os dois se beijaram e Doisneau ficou famoso para sempre.
Em 2005, Françoise Bornet, então com 75 anos, levou a leilão um dos originais da fotografia: um milionário suíço a arrematou por 155 mil euros, o equivalente, ao câmbio atual, a R$410 mil.

Mais fotos de Doisneau: http://fottus.com/arte/foto s-antigas-de-paris-robert-doisneau/

Fontes: http://fottus.com/arte/foto s-antigas-de-paris-robert-doisneau/
http://www.nautilus.com.br/clientes/pontes/biografia/Doisneau.htm



quinta-feira, 8 de abril de 2010

Arte Urbana - Grafite


A arte urbana de Alexandre Orion

Publicado em 05 de abril de 2010

Divulgação
Alexandre Orion trabalha em Ossário: “o crime do grafite está na tinta ou na mensagem?

Endrigo Chiri Braz

Alexandre Orion, o artista visual responsável pela capa desta edição da revista CULT, está longe de ser um artista de rua comum que se apropria dos muros da cidade para pintar. Latas de spray não são suficientes para expressar suas ideias e conceitos. Orion mergulha no caos e dança com o acaso e, depois de muito refletir, surge nas ruas da cidade com obras de arte que, além de massagear as pupilas, colocam os neurônios para trabalhar. A imagem de capa é uma das muitas que compõem a série Metabiótica, produzida em 2002. Orion aproxima a ficção da realidade com o compromisso da casualidade. É um trabalho de intervenção urbana que mescla o estêncil [técnica de grafite], a fotografia e os milhares de transeuntes que circulam pela cidade.

A imagem do sujeito ficcional gritando com um megafone na orelha de um mendigo real levou meses para ser produzida. O artista escolheu o muro, desenvolveu o estêncil e, munido de máquina fotográfica, esperou por dias a fio até que alguém interagisse de maneira apropriada com o desenho estampado na parede. A série, que conta com quase 20 imagens, foi exposta no mundo inteiro, virou livro e hoje se encaixa perfeitamente ao tema do Dossiê desta edição. Em seu trabalho batizado deOssário, Orion investigou a poluição que pinta de preto os túneis da cidade e desenvolveu uma técnica de grafite reverso, arte menos poluição. Na entrevista a seguir, ele conta como o caos e o acaso atuam em seu trabalho.

CULT – Quando e como você despertou para a arte urbana? Antes de ir para as ruas, você já era um artista plástico indoor?

Alexandre Orion – Desde moleque eu desenho e pinto. Aos 13 anos, sob influência da cultura do skate e do hip hop, eu fui pra rua fazer meu primeiro trabalho na parede. E segui fazendo grafite nas ruas até que comecei a fazer tatuagem. Eu tatuava desenhos exclusivos, o que foi uma ponte para a ilustração, depois para a direção de arte de revistas, até que abri mão de tudo e voltei pra rua com o projeto Metabiótica na cabeça. O curso superior em artes visuais veio depois disso, surgiu bem tarde na minha vida.

CULT – Atualmente, você se dedica integralmente ao trabalho de artista plástico?

Orion – Sim. Não foi algo natural, mas uma decisão que tomei alguns anos atrás e que envolve dedicação e abdicação.

CULT – Toda intervenção urbana, por si só, já lida com o imprevisto. Em Metabióticavocê adicionou o acaso a essa equação. Qual o papel dele na obra e sua importância para o contexto?

Orion – O acaso é o momento mais importante do trabalho, pois é nesse registro da interação espontânea das pessoas que o conceito Metabiótica nasce. Tudo acontece de verdade, sem interferências nem poses, porém o resultado parece falso. Mas, além de uma questão conceitual, a espera é o momento em que os passantes tomam parte do processo tornando-se personagens e coautores dele, acrescentando coisas que eu jamais poderia imaginar.

CULT – A marca do seu trabalho é acrescentar outros elementos ao grafite, às técnicas de arte de rua em si, como a fotografia, os transeuntes. Saberia dizer de onde veio isso? Acredita que trabalhando com uma gama maior de elementos o recado é dado de forma mais impactante?

Orion – Meus projetos surgem do pensamento, penso muito antes de começar algo. Em Metabiótica, tentei resolver grandes incômodos que tinha em relação ao grafite e à fotografia. Sempre me preocupou a ideia de o grafite ser egoísta, de usar o espaço público para expressar algo pessoal, e eu queria que ele fizesse parte da vida, queria que a cidade não fosse apenas o suporte, mas a plataforma. E na fotografia me aborrecia muito essa carga de verdade que ela tem, essa ideia de que tudo que é fotográfico é real, existe ou existiu. As fotografias da série Metabiótica são todas espontâneas, tudo aconteceu de verdade, mas esse diálogo entre pintura e fotografia cria um desconforto, dá a sensação de que há uma montagem que não existiu. Em Ossário a demanda era outra. Visitei um dos túneis de São Paulo, saí de lá com a certeza de que podia desenhar limpando, mas também assustado com a quantidade de poluição que encontrei. A ideia da intervenção concretizou-se quando entendi de que maneira eu usaria a técnica para construir o discurso. E esse é o dado mais importante do Ossário: a relação intrínseca entre a técnica, o local e o discurso. Uma coisa conduz a outra.

CULT – Como surgiu a ideia de Ossário?

Orion – Na ocasião da inauguração, em 2004, as laterais do túnel Max Feffer eram amarelas, mas, poucos meses depois, reparei que elas haviam ficado pretas. Por curiosidade, numa madrugada, eu entrei no túnel para ver o que tinha acontecido. Eu achava que era por causa da luz, não imaginei que fosse poluição. Ali descobri que, além de ser pura fuligem, passando o dedo você tirava a sujeira com uma linha de contraste boa. Fiquei com aquilo na cabeça quase dois anos. Eu levei um tempo para juntar a possibilidade técnica que havia descoberto com o susto de perceber que aquilo era poluição.

CULT – Desde o início, a intenção de Ossário era despertar a atenção das pessoas para a poluição, para a quantidade de gases nocivos que inalamos diariamente? Ou a obra foi ganhando esse entorno de “protesto ecológico” conforme se espalhava pela internet?

Orion – Essa era, sem dúvida, uma das intenções. Mas Ossário é construída com base na ideia de crime. Temos o crime ambiental que é a poluição, temos o descaso do poder público na manutenção desses túneis, tem a provocação do grafite reverso: o crime do grafite está na tinta, como diz a lei, ou na mensagem? E termina com a lavagem da prefeitura que, após 17 madrugadas de trabalho, apareceu para lavar apenas os 300 metros em que eu havia feito a intervenção. Censura? Além disso, quando critico a poluição, critico também a indústria automobilística, a indústria petrolífera e toda a lógica capitalista que fundamenta esse modelo inviável de sociedade do automóvel, do trânsito que não transita e dos empreendimentos imobiliários com cinco vagas na garagem. Hoje os carros dormem melhor que as pessoas. É ridículo.

CULT – O despreparo do poder público ao lidar com sua intervenção era esperado ou foi mais uma surpresa do processo?

Orion – Eu talvez nem chame de despreparo, porque a situação que Ossário propunha não permitia qualquer tipo de preparação. Eu esperava as abordagens da polícia e, conforme a intervenção avançava pelo túnel, tive certeza de que eles lavariam. Mas cada situação é nova e surpreendente. O diálogo com a polícia e a CET sempre tinha um “quê” dadaísta.

CULT – E como você analisa o comportamento das autoridades?

Orion – Elas fizeram o papel delas. A polícia podia ser agressiva ou educada, mas a conclusão foi sempre a mesma. Como não havia crime, ela ia embora. A única maneira de impedir a intervenção era lavar o túnel, e assim foi.

CULT – E do que é composta a exposição Ossário, que está em cartaz no Centro Cultural Banco do Brasil, em São Paulo?

Orion – Esta exposição é documental, não tem intenção de recriar nada. De fato, o trabalho estético se esvaziaria se trouxesse a obra para um espaço institucional. São fotos, textos, o vídeo, que foi o mais visto do YouTube por um bom tempo. Eu reproduzi o túnel com carvão vegetal, um material atóxico, e o resultado é exatamente o mesmo. Mas é um documento da sensação, jamais um desdobramento ou réplica, até porque isso seria bobo. Toda tentativa de produzir um lance feito na rua é falha.

Fonte: Revista Cult (on line)